Sol, 14 de Outubro de 2006
Andreia Félix Coelho
Os centros de formação de docentes foram informados de que não há financiamento para formar os professores nas matérias das suas disciplinas.
O novo estatuto da carreira docente exige, porém, que dois terços da formação de cada professor incida sobre as suas áreas. Neste ano lectivo, a falta de verbas só permite que os docentes tenham formação em tecnologias da informação e em bibliotecas escolares. Mesmo o Português e a Matemática estão a ser canalizados para as escolas superiores.
Por isso, os professores estão preocupados com o que lhes vai acontecer no momento de progressão na carreira, uma vez que não estão a cumprir os dois terços de formação específica.
Desidério Murcho, investigador e formador na área da Filosofia, diz temer que "a ideia seja mesmo impedir os docentes de progredir na carreira".
E defende: "Os professores precisam desesperadamente de formação científica de qualidade, pois as universidades enviam-nos em estado de tranquila ignorância para o ensino."
Este docente propôs dois planos de formação em Lógica e Filosofia da Religião -- matérias do 11.º ano -- que foram recusados por não haver financiamento.
A directora do centro de formação de Braga, Ana Vilela, diz que, numa reunião com a direcção do Programa de Desenvolvimento Educativo para Portugal (PRODEP), foram prometidas verbas para o segundo semestre deste ano lectivo. Mas garante que "vai ser tarde".